Aluísio Komarchesqui Leibanti

29, Maio 2008

Trombone de Quincke

Arquivado em: Nerdlike — Aluísio @ 5:59 pm

       As ondas sonoras são ondas mecânicas que se propagam através de um gás, líquido ou sólido. Estas ondas são produzidas por deformações provocadas pela diferença de pressão em um meio elástico qualquer, como por exemplo, ar, metais ou isolantes. A maioria dos sons acaba sendo obtido através de objetos que estão vibrando, como é o caso de cordas; princípio fundamentel de instrumentos musicais como violão, violino, harpa, guitarra, contrabaixo, banjo e variantes.

        O Trombone de Quincke é um artefato criado para facilitar a compreensão do fenômeno de reflexão de ondas mecânicas. Ele possui um braço móvel que faz o comprimento do circuito variar, modificando assim as ondas sonoras.      

        O processo consiste em encaminhar um som simples produzido por uma dada fonte (diapasão, por exemplo) por duas vias diferentes (denominados ‘caminhos de marcha’) e depois reuní-los novamente em um receptor analisador (que pode ser o próprio ouvido).  Conforme o comprimento do braço móvel varia, as ondas passam por pontos de concordância ou oposição de fases. No primeiro caso, o que se ouve é um aumento na intensidade sonora, enquanto no segundo caso temos o anulamento ou extinção dessas ondas; ou seja: o silêncio.

        Pode-se notar que somando as duas freqüências há pontos onde a intensidade aumenta e diminui, sempre de forma simétrica.  Se suas freqüências não forem rigorosamente iguais, ora eles se superpõem em concordância de fase, ora em oposição de fase, ocorrendo isso a intervalos de tempo iguais, isto é, periodicamente se reforçam e se extinguem. É o fenômeno de batimento e o intervalo de tempo é denominado período do batimento evidenciado no gráfico.

      Referências
[1]
D. Halliday, R. Resnick, J. Merril, Fundamentos da Física, vol. II, cap. 17 e 18, 3ºed. (1994)

Trecho do meu relatório científico da disciplina 13FIS008 do curso de graduação em Engenharia Civil da Universidade Estadual de Londrina.

28, Maio 2008

quick notes

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 11:24 am

- É impressão minha ou essa CSS que a base aliada do PT está colocando em votação na Câmara é  a nova esposa do viúvo da CPMF? Maldito! A outra nem esfriou…

- Quem ainda não comprou ingressos para as peças do FILO precisa agilizar-se! Mais de quinze dos espetáculos em cartaz já estão esgotados, mas ainda há muito o que garimpar.

- Quanto mais você estuda matérias como Cálculo Numérico e Equações Diferenciais Ordinárias mais você percebe que não sabe nada de matemática.

- “Yo soy paraguayo y yo vengo para matar-te!” “Para o quê?” “Paraguayo!”

- Uma das piores sensações que se pode experimentar é ter a vida revirada, assim, sem mais nem menos.

- “Paremos de indagar o que o futuro nos reserva e recebamos como um presente o que quer que nos traga o dia de hoje.” Heráclito

24, Abril 2008

Mário Jambo

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 6:19 pm

Tenho um amigo no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte: Mário Jambo, 49, juiz federal e apreciador de literatura brasileira. Verdade que nunca nos conhecemos, mas há atitudes neste sujeito que não se podem passar desapercebidas.

Falo de sua sentença sobre a Operação Colossus – caçada a uma quadrilha de hackers que aplicava golpes milionários em território nacional – semana passada. Após nove meses de clausura o juiz ordenou que fossem soltos três acusados no processo mediante uma lista com doze exigências, das quais vale citar a obrigação de lerem e resumirem, a cada três meses, dois clássicos da literatura.

Excetuando-se o mérito da liberdade e levando em conta o estado carcerário brasileiro, a atitude do magistrado de direito é de muita valia pois não só incita à leitura mas também promove direta ou indiretamente valores sadios.

Só por curiosidade; as primeiras obras escolhidas pelo juiz foram “A hora e a vez de Augusto Matraga”, conto de Guimarães Rosa e “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. Defensor incondicional da leitura que sou, divulgo a atitude tão inusitada. Deu na Folha Online, clique aqui para ler na íntegra

21, Abril 2008

Filosofia

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 11:13 pm

Há quem diga que se faz filosofia sem surpresa e admiração. Fala-se até na ausência do Pathos – que nada mais é que paixão ou doença, se é que há diferença entre os dois substantivos mencionados. Tal padronização do pensamento filosófico é o erro em si, pois, aquele não pode ser regido pela simetria conceitual.

Os dois filósofos que iniciaram o exame da capacidade humana para o erro foram Bacon e Descartes. Para tal, examinaram exaustivamente as causas e as formas do erro, inaugurando um estilo filosófico perdurante: a análise dos preconceitos e do senso comum. Bacon elaborou uma teoria conhecida como a “crítica dos ídolos” e Descartes elaborou um método de análise conhecido como “dúvida metódica”.

Bacon acreditava que com o avanço dos conhecimentos e das técnicas, as mudanças sociais e políticas e o desenvolvimento das ciências e da filosofia propiciariam uma grande reforma do conhecimento humano. Para Descartes, o conhecimento sensível – sensação, percepção, imaginação e memória – é a causa do erro e deve ser afastado. O conhecimento verdadeiro é puramente intelectual, parte das idéias inatas e controla por meio de regras as investigações filosóficas, científicas e técnicas.

No dia-a-dia nota-se uma tendência iminente ao erro. Questionei-me disso após repassar mentalmente algumas conversas e situações das últimas horas enquanto dirigia. Racionalismo e empirismo conflitavam-se arduamente. Tornar o entendimento objeto para si próprio, tornar o ‘sujeito do conhecimento’ objeto de conhecimento para si mesmo é a grande tarefa que a modernidade filosófica inaugura, ao desenvolver a teoria do conhecimento. Adjacente a isso há as contradições e revezes.

Em suma, perseverar no erro não é necedade toda. Há, ao menos, o subsídio filosófico.

10, Março 2008

Quisera ter escrito isto

Arquivado em: l'amour — Aluísio @ 1:00 am

A Amanda, mais musa que Capitu, companheira de todos os dias e amante inquestionável.

Capitu

07, Março 2008

En passant

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 8:04 pm

Impulsos ou vontades. Vontade de tomar Citrus e  sair para comer aquele bolinho de bacalhau. Impulso de apanhar um violão e tirar qualquer rock n’ roll dos anos oitenta como Extreme, The Kinks, Guns ou Stones só pra te ver sorrir. Hiperbulia total no que tange a não tirar meus olhos dos seus olhos, ler mais e admirar-me com a velocidade centrípeta dos ponteiros de nossos relógios – que não os usamos.

Dizer dezessete vezes que minha teimosia pode ser virtude. Perpetuo minhas vontades indómitas.

29, Fevereiro 2008

Rebu

Arquivado em: Lorotas — Aluísio @ 8:50 pm

Acordara de supetão com o pacote – de volume notável – sendo colocado sobre a mesa. “Estava tão concentrada que não te vi entrar”, mentiu.

Possuía-lhe – agora – a mais cruel das avaliações: abrir ou não? Como reagiria ao evocar lembranças de uma maneira tão concreta? Dúvidas que eram chagas. Ponderou, decidiu mas vacilou. Deu tres voltas ao redor da mesa retangular de cedro. Como podiam as paredes ser tão brancas? O rebu de suas unhas demoradas agrediam o envelope branco grosseiramente. Ela não devia estar usando esmalte, tampouco de um vermelho tão vivaz: a culpa acometedora. Guardar luto perpétuo seria a solução?

Por fim, abriu. Era como se cada músculo de seus membros superiores se rebelassem contra os impulsos elétricos enviados pelo cérebro. Precisava mas não podia. Não podia, mas pode. Havia uma carta escrita por ela em um pretérito muito longinquo – amarelada até, mas muito conservada -, fotografias diversas, a loção pós barba que ele sempre usara, notas fiscais e um livro embrulhado para presente. Tudo o que mantivera em sua gaveta pessoal. Certezas e dúvidas. Certezas indissolúveis e questionamentos impossíveis. Para quem seria o livro? Não havia uma dedicatória sequer. A falta de tal pista evocava o arrependimento por tudo aquilo que faltara em suas vidas. Do fundo do envelope retirou o último volume: uma caixa.

Uma medalha para concluir a história. Precisava guardá-la com afinco pois viria o dia em que a manchete seria esquecida. Quantos médicos mais morreriam por engano em zonas de conflito internacionais? Quantas viúvas, orfãos e lágrimas? Um sem número delas. Procuraria um vidro de propanona prontamente. Basta uma bala para aniquilar duas ou mais vidas de uma vez só.

Basta uma bala para aniquilar duas ou mais vidas de uma vez só, se não houver o tempo. E para os viventes sempre há o tempo – direito inerente a vida – de forma que uma só vida padeça de fato e as demais ressuscitem.

20, Fevereiro 2008

Fidelidade

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 11:17 am

Uma das frases mais errôneas que ouvi é a seguinte: “Já vi de tudo nessa vida”. Não pode haver atestado maior de que empáfia não mata, caso contrário o número de termos de pessoas atiladas dizimaria a população mundial. Confesso que em momentos de debilidade até a pessoa mais consciente pode vacilar e isso é totalmente perdoável.

Já vi banqueiro quebrar – como foi o caso do Cid Ferreira dono do Banco Santos – e a seleção brasileira de futebol perder para a França duas vezes. Tive também a oportunidade de presenciar um certo presidente – cujo dedo mindinho lhe falta – dizer que nada sabia a respeito do maior esquema de corrupção da história desse país. Como se não bastasse o World Trade Center sucumbiu e Osama Bin Laden, engenheiro civil que é, não foi capturado. Vi a Britney mostrando a ”perseguida” para os fotógrafos e Saddam Hussein sendo entregado. Já vi Chester, corinthiano inteligente, cão chupando manga – em foto! – e homens pobres e feios namorando moças bonitas. Agora Fidel Castro renunciou.

Fidel não foi simplesmente uma figura marcante, um ditador polemico, um herói ou um crápula. Ele concentrou em sua pessoa a história de uma nação ao se perpetuar no poder desde 1959 por meio da Revolução Social. Não há duvidas que a Cuba do ditador teve seu apogeu com o crescimento do socialismo e da URSS, e; por um tempo cerceou de fato a democracia e os direitos humanos em seu país com aumento da qualidade de vida. Seus estudos jurídicos e experiências militares somados a reflexões no exílio moldaram um caráter e ideologia que foram cruciais para determinar o que viria a ser seu país. Um bom método para estudar meio século de história cubana é ler uma biografia de qualidade do ditador, que tenha o mínimo de fidelidade aos interesses dele e uma boa cronologia.

Renuncias tarde, Doctor Honoris Causa. Contigo ficam lembranças de utopia, prosperidade, crueldade e trabalho. Teus são o Premio Lenin da Paz e o Mijail Sholojov. E nada mais. Com a queda do homem, resplandece um período de incertezas e abertura. Oportunidades e melhoras virão.

Agora só falta o Bush dançar La Macarena.

Trecho do livro

19, Fevereiro 2008

Para francês ver

Arquivado em: Lorotas — Aluísio @ 1:40 am

A capital é tão multifacetada que ofusca até o brilho da nação Francesa, tão gloriosa e impávida. Tour Eiffel, Les Invalides, Conciergerie, Le Panthéon, Place de La Concorde, Opera de Paris e Palais Royal são titãs que não se confrontam, partes de um todo sem igual. Não há atração melhor ou mais proveitosa pois são uma.

Se você estivesse em Paris nesse momento poderia estar dormindo confortavelmente em uma suíte do Ritz com vista para a Place Vendome. Com um pouco mais de disposição iria ao Le Quatre Temps e gastaria um punhado de euros em um dos maiores shopping centers do mundo. Tomaria Veuve Clicquot, compraria roupas da moda novel e veria pessoas bonitas.

Zero Celsius. Se bem acompanhado uma ótima pedida seria passear pelo Sena a bordo do Vedettes de Paris, sentir a cidade luz, ouvir boa música e terminar a noite com um jantar inesquecível e beijos memoráveis, french kisses literalmente.

Os mais ávidos por conhecimento iriam a Quartier Latin onde fica Sorbonne e as melhores livrarias européias e, em meio aos deliciosos pães de centeio com nozes e passas, devorariam excepcionais publicações literárias. Até ler pode ser melhor do que é sabido, em Paris. Por fim tomaria um trem até Le Havre ou Sens e se afastaria do glamour e da correria parisiense por algumas horas até que o desejo de voltar fosse maior que qualquer outra coisa. O caminho para o Aéroport Charles de Gaulle seria sufocante como um requiem em fá menor.

Se você estivesse em Paris, sentiria o mesmo que eu sinto cada vez que olho certos olhos mel ou bebo dos lábios mais aprazíveis. O paraíso fica no centro da França ou no apartamento ao lado, numa esquina desconhecida ou na cidade circunvizinha. Aço é sempre aço.

Mas, afinal, estar neste blog não é tão ruim assim.

08, Fevereiro 2008

Amanda,

Arquivado em: l'amour — Aluísio @ 7:26 am

São o calor e o frio da minha pele sobre o feldspato. Tudo são saudades de você: as fotos que eu trouxe, suas cartas, meus livros, o sol e o mar. Alguém que usa o teu perfume, que ostenta uma roupa parecida com aquelas com as quais me encanta.  Eu sou a saudade de você e não posso desvencilhar-me.

Contemplo – de olhar obliquo – o dia como um amante incansável, alvejo-te em pensamentos e razoes. Não raro na ausência delas. Em cada grão de areia tenho colocado um pouco da falta que me fazes. Temo, pois, que num futuro breve haverei de escolher outro elemento para materializar minha nostalgia. Assaz amo você. Como menino deslumbrado que vai à praia pela primeira vez, padeço por minha ânsia em explorar-te, desvendar-te.  Da tua imensidão fica meu estonteio. Somos sujeito e predicado, verbo e complemento. O verbo que se fez carne, a carne que se fez verbo.

Cerro os olhos e me vem à mente tua imagem: altiva, resplandecente, inabalável. Calo-me e emerge tua voz melodiosa, tua respiração tão compassada e harmônica como um allegro. Deixo sentir e surge teu carinho sem igual, o conforto do teu toque e aquele cheiro de flor silvestre.  Ajo em ti, Amanda.

Sejam esses dezesseis meses o prelúdio da beleza que há por vir. Redenção plena nossos amores, fortaleza exponencial.  O que sei de poesia aprendi dos teus lábios, de fotografia: dos teus olhos. O que penso saber de amor foi de cada oitavo dia dos últimos dezesseis meses. E do montante desses: a vida.

Deixa que as palavras te beijem.

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