Aluísio Komarchesqui Leibanti

29, Julho 2008

Fazes-me falta

Arquivado em: l'amour — Aluísio @ 9:58 pm

Porque te escolho, neste sussurro sem retorno? Porque te quero no meu sono, se iluminaste sobretudo o que não fui? Morreste-me antes que eu morresse – e não consigo morrer sem ti. Nunca consegui. Todos os dias da minha vida estive contigo – como se todas as amizades anteriores fossem só o caminho para chegar a ti, como se todas as amizades posteriores fossem apenas a ausência de ti. Mais delicadas, mais ritmadas, mais claras – menos tu.

Arrumei os amores, é a primeira regra da vida – saber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. A amizade só se perde por traição – como a pátria. Num campo de batalha, num terreno de operações. Não há explicações para o desaparecimento do desejo, última e única lição do mais extraordinário amor. Mas quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, apenas perfume, contorno, coreografado em redor dos arco-íris dessa animada esperança a que chamamos alma – porque se esfuma? Como é que de um dia para o outro a sua voz deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o espelho da tua?

[Inês Pedrosa, Fazes-me falta, pág. 168.  Ed. Planeta, 2003]

10, Março 2008

Quisera ter escrito isto

Arquivado em: l'amour — Aluísio @ 1:00 am

A Amanda, mais musa que Capitu, companheira de todos os dias e amante inquestionável.

Capitu

08, Fevereiro 2008

Amanda,

Arquivado em: l'amour — Aluísio @ 7:26 am

São o calor e o frio da minha pele sobre o feldspato. Tudo são saudades de você: as fotos que eu trouxe, suas cartas, meus livros, o sol e o mar. Alguém que usa o teu perfume, que ostenta uma roupa parecida com aquelas com as quais me encanta.  Eu sou a saudade de você e não posso desvencilhar-me.

Contemplo – de olhar obliquo – o dia como um amante incansável, alvejo-te em pensamentos e razoes. Não raro na ausência delas. Em cada grão de areia tenho colocado um pouco da falta que me fazes. Temo, pois, que num futuro breve haverei de escolher outro elemento para materializar minha nostalgia. Assaz amo você. Como menino deslumbrado que vai à praia pela primeira vez, padeço por minha ânsia em explorar-te, desvendar-te.  Da tua imensidão fica meu estonteio. Somos sujeito e predicado, verbo e complemento. O verbo que se fez carne, a carne que se fez verbo.

Cerro os olhos e me vem à mente tua imagem: altiva, resplandecente, inabalável. Calo-me e emerge tua voz melodiosa, tua respiração tão compassada e harmônica como um allegro. Deixo sentir e surge teu carinho sem igual, o conforto do teu toque e aquele cheiro de flor silvestre.  Ajo em ti, Amanda.

Sejam esses dezesseis meses o prelúdio da beleza que há por vir. Redenção plena nossos amores, fortaleza exponencial.  O que sei de poesia aprendi dos teus lábios, de fotografia: dos teus olhos. O que penso saber de amor foi de cada oitavo dia dos últimos dezesseis meses. E do montante desses: a vida.

Deixa que as palavras te beijem.

13, Janeiro 2008

Aurora de minha vida

Arquivado em: l'amour — Aluísio @ 10:07 pm
Meu banco, meu livro, meus olhos: você.

É assim mesmo, cada vez que te leio amo algo novo e com a mesma intensidade, que não falha. É um prazer sem igual, ler-te. Amo ler, amo você.

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