Aluísio Komarchesqui Leibanti

12, Junho 2009

Viadutos, pontes e afins.

Arquivado em: Cotidiano, Disclaimer, Lorotas — Aluísio @ 12:43 pm

viaduto

 

Para fazer um viaduto – pavimentado, quatro pistas, 20 metros de vão – utilizaremos aproximadamente 1100m³ de concreto com resistência de 15 MPa, 55 toneladas de aço com bitolas variadas, infinitos grãos de areia, milhares de parafusos, centenas de brocas, duzentos dias chuvosos e um barranquinho daqueles que a gente escorregava de papelão quando era pequeno.

Junte todos os ingredientes em um caldeirão de ferro puro remanescente da Santa Inquisição e cozinhe tudo por aproximadamente dois anos, alternando movimentos no sentido horário e anti-horário até que dê liga.

Os possíveis efeitos colaterais são: calvície, insônia, dores de cabeça e úlceras estomacais. Aprecie com moderação.

22, Dezembro 2008

Père Noël

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 10:28 am

O espírito natalino não é mesmo a mais indeflagrável das cousas?  Presenciei hoje – pela manhã – nada mais, nada menos que um comercial da Telesena de natal veiculado pela Rede Globo. É mole ou quer mais?

20, Outubro 2008

Copy&paste

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 12:03 pm

Leiam este texto do Briguet que aborda de maneira concisa e espirituosa o cenário político de Londrina. É uma economia de papel e tempo porque equivale à leitura de todos os artigos sobre o facto publicados entre Setembro e Outubro desse ano.

23, Julho 2008

La gasolina

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 9:47 am

Fim de semana e uns quilômetros para rodar; o ponteiro de gasolina lá embaixo. Uma placa na loja de combustíveis dizia ‘Só hoje!’ e já indexava o preço imperdível de dois reais com vinte e sete centavos por litro de octanos.

Séptico que sou, relutei alguns instantes aquele apelo capitalista. Encostado o possante, cinquenta reais metamorfosearam-se em pouco mais de vinte e dois litros de Esso Maxxi. E não é que no dia seguinte meu ceticismo mostrou-se vão?

Pasme, o preço da gasolina fora realmente reajustado! Dois reais com vinte e cinco centavos por litro.

28, Maio 2008

quick notes

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 11:24 am

- É impressão minha ou essa CSS que a base aliada do PT está colocando em votação na Câmara é  a nova esposa do viúvo da CPMF? Maldito! A outra nem esfriou…

- Quem ainda não comprou ingressos para as peças do FILO precisa agilizar-se! Mais de quinze dos espetáculos em cartaz já estão esgotados, mas ainda há muito o que garimpar.

- Quanto mais você estuda matérias como Cálculo Numérico e Equações Diferenciais Ordinárias mais você percebe que não sabe nada de matemática.

- “Yo soy paraguayo y yo vengo para matar-te!” “Para o quê?” “Paraguayo!”

- Uma das piores sensações que se pode experimentar é ter a vida revirada, assim, sem mais nem menos.

- “Paremos de indagar o que o futuro nos reserva e recebamos como um presente o que quer que nos traga o dia de hoje.” Heráclito

24, Abril 2008

Mário Jambo

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 6:19 pm

Tenho um amigo no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte: Mário Jambo, 49, juiz federal e apreciador de literatura brasileira. Verdade que nunca nos conhecemos, mas há atitudes neste sujeito que não se podem passar desapercebidas.

Falo de sua sentença sobre a Operação Colossus – caçada a uma quadrilha de hackers que aplicava golpes milionários em território nacional – semana passada. Após nove meses de clausura o juiz ordenou que fossem soltos três acusados no processo mediante uma lista com doze exigências, das quais vale citar a obrigação de lerem e resumirem, a cada três meses, dois clássicos da literatura.

Excetuando-se o mérito da liberdade e levando em conta o estado carcerário brasileiro, a atitude do magistrado de direito é de muita valia pois não só incita à leitura mas também promove direta ou indiretamente valores sadios.

Só por curiosidade; as primeiras obras escolhidas pelo juiz foram “A hora e a vez de Augusto Matraga”, conto de Guimarães Rosa e “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. Defensor incondicional da leitura que sou, divulgo a atitude tão inusitada. Deu na Folha Online, clique aqui para ler na íntegra

21, Abril 2008

Filosofia

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 11:13 pm

Há quem diga que se faz filosofia sem surpresa e admiração. Fala-se até na ausência do Pathos – que nada mais é que paixão ou doença, se é que há diferença entre os dois substantivos mencionados. Tal padronização do pensamento filosófico é o erro em si, pois, aquele não pode ser regido pela simetria conceitual.

Os dois filósofos que iniciaram o exame da capacidade humana para o erro foram Bacon e Descartes. Para tal, examinaram exaustivamente as causas e as formas do erro, inaugurando um estilo filosófico perdurante: a análise dos preconceitos e do senso comum. Bacon elaborou uma teoria conhecida como a “crítica dos ídolos” e Descartes elaborou um método de análise conhecido como “dúvida metódica”.

Bacon acreditava que com o avanço dos conhecimentos e das técnicas, as mudanças sociais e políticas e o desenvolvimento das ciências e da filosofia propiciariam uma grande reforma do conhecimento humano. Para Descartes, o conhecimento sensível – sensação, percepção, imaginação e memória – é a causa do erro e deve ser afastado. O conhecimento verdadeiro é puramente intelectual, parte das idéias inatas e controla por meio de regras as investigações filosóficas, científicas e técnicas.

No dia-a-dia nota-se uma tendência iminente ao erro. Questionei-me disso após repassar mentalmente algumas conversas e situações das últimas horas enquanto dirigia. Racionalismo e empirismo conflitavam-se arduamente. Tornar o entendimento objeto para si próprio, tornar o ‘sujeito do conhecimento’ objeto de conhecimento para si mesmo é a grande tarefa que a modernidade filosófica inaugura, ao desenvolver a teoria do conhecimento. Adjacente a isso há as contradições e revezes.

Em suma, perseverar no erro não é necedade toda. Há, ao menos, o subsídio filosófico.

07, Março 2008

En passant

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 8:04 pm

Impulsos ou vontades. Vontade de tomar Citrus e  sair para comer aquele bolinho de bacalhau. Impulso de apanhar um violão e tirar qualquer rock n’ roll dos anos oitenta como Extreme, The Kinks, Guns ou Stones só pra te ver sorrir. Hiperbulia total no que tange a não tirar meus olhos dos seus olhos, ler mais e admirar-me com a velocidade centrípeta dos ponteiros de nossos relógios – que não os usamos.

Dizer dezessete vezes que minha teimosia pode ser virtude. Perpetuo minhas vontades indómitas.

20, Fevereiro 2008

Fidelidade

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 11:17 am

Uma das frases mais errôneas que ouvi é a seguinte: “Já vi de tudo nessa vida”. Não pode haver atestado maior de que empáfia não mata, caso contrário o número de termos de pessoas atiladas dizimaria a população mundial. Confesso que em momentos de debilidade até a pessoa mais consciente pode vacilar e isso é totalmente perdoável.

Já vi banqueiro quebrar – como foi o caso do Cid Ferreira dono do Banco Santos – e a seleção brasileira de futebol perder para a França duas vezes. Tive também a oportunidade de presenciar um certo presidente – cujo dedo mindinho lhe falta – dizer que nada sabia a respeito do maior esquema de corrupção da história desse país. Como se não bastasse o World Trade Center sucumbiu e Osama Bin Laden, engenheiro civil que é, não foi capturado. Vi a Britney mostrando a ”perseguida” para os fotógrafos e Saddam Hussein sendo entregado. Já vi Chester, corinthiano inteligente, cão chupando manga – em foto! – e homens pobres e feios namorando moças bonitas. Agora Fidel Castro renunciou.

Fidel não foi simplesmente uma figura marcante, um ditador polemico, um herói ou um crápula. Ele concentrou em sua pessoa a história de uma nação ao se perpetuar no poder desde 1959 por meio da Revolução Social. Não há duvidas que a Cuba do ditador teve seu apogeu com o crescimento do socialismo e da URSS, e; por um tempo cerceou de fato a democracia e os direitos humanos em seu país com aumento da qualidade de vida. Seus estudos jurídicos e experiências militares somados a reflexões no exílio moldaram um caráter e ideologia que foram cruciais para determinar o que viria a ser seu país. Um bom método para estudar meio século de história cubana é ler uma biografia de qualidade do ditador, que tenha o mínimo de fidelidade aos interesses dele e uma boa cronologia.

Renuncias tarde, Doctor Honoris Causa. Contigo ficam lembranças de utopia, prosperidade, crueldade e trabalho. Teus são o Premio Lenin da Paz e o Mijail Sholojov. E nada mais. Com a queda do homem, resplandece um período de incertezas e abertura. Oportunidades e melhoras virão.

Agora só falta o Bush dançar La Macarena.

Trecho do livro

01, Fevereiro 2008

I will

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 5:58 pm
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