Lembra quando as mãos trêmulas calavam o pranto e no olhar era só ternura para fitar? Alvas manhãs distantes que o tempo roubou!
Se nada é perene, diz-me qual o pungente motivo da ganância, minha querida! Que inquietude derradeira macula o sossego duma vida imaculada?
Malditos sejam todos os leitos onde não estás – onde não estivemos. Tenho aquele caderno em que escreveste tuas primeiras frases de amor, desespero e culpa. Tenho nada mais. Um punhado de hiatos, vontades e lembranças.
Falas de motivos e causas como se tudo isso não passasse de produtos cartesianos desdenhados pela razão lúdica de nossos corpos amontoados. Escrevo numa caligrafia custosa palavras que nunca existiram. Escrevo.