“Porque te escolho, neste sussurro sem retorno? Porque te quero no meu sono, se iluminaste sobretudo o que não fui? Morreste-me antes que eu morresse – e não consigo morrer sem ti. Nunca consegui. Todos os dias da minha vida estive contigo – como se todas as amizades anteriores fossem só o caminho para chegar a ti, como se todas as amizades posteriores fossem apenas a ausência de ti. Mais delicadas, mais ritmadas, mais claras – menos tu.
Arrumei os amores, é a primeira regra da vida – saber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. A amizade só se perde por traição – como a pátria. Num campo de batalha, num terreno de operações. Não há explicações para o desaparecimento do desejo, última e única lição do mais extraordinário amor. Mas quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, apenas perfume, contorno, coreografado em redor dos arco-íris dessa animada esperança a que chamamos alma – porque se esfuma? Como é que de um dia para o outro a sua voz deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o espelho da tua?“
[Inês Pedrosa, Fazes-me falta, pág. 168. Ed. Planeta, 2003]
Fantástico !!! Degraus de novato, de ser humano avançado, perfeito, carnal…
Que mais ????? Parece que alma escapou das limitações corpóreas para elevar-se ao
estado supra humano.
Amo vc muitooooooooo
Comentário por Sandra — 21, Agosto 2008 @ 1:00 am |