Aluísio Komarchesqui Leibanti

29, Julho 2008

Fazes-me falta

Arquivado em: l'amour — Aluísio @ 9:58 pm

Porque te escolho, neste sussurro sem retorno? Porque te quero no meu sono, se iluminaste sobretudo o que não fui? Morreste-me antes que eu morresse – e não consigo morrer sem ti. Nunca consegui. Todos os dias da minha vida estive contigo – como se todas as amizades anteriores fossem só o caminho para chegar a ti, como se todas as amizades posteriores fossem apenas a ausência de ti. Mais delicadas, mais ritmadas, mais claras – menos tu.

Arrumei os amores, é a primeira regra da vida – saber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. A amizade só se perde por traição – como a pátria. Num campo de batalha, num terreno de operações. Não há explicações para o desaparecimento do desejo, última e única lição do mais extraordinário amor. Mas quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, apenas perfume, contorno, coreografado em redor dos arco-íris dessa animada esperança a que chamamos alma – porque se esfuma? Como é que de um dia para o outro a sua voz deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o espelho da tua?

[Inês Pedrosa, Fazes-me falta, pág. 168.  Ed. Planeta, 2003]

23, Julho 2008

La gasolina

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 9:47 am

Fim de semana e uns quilômetros para rodar; o ponteiro de gasolina lá embaixo. Uma placa na loja de combustíveis dizia ‘Só hoje!’ e já indexava o preço imperdível de dois reais com vinte e sete centavos por litro de octanos.

Séptico que sou, relutei alguns instantes aquele apelo capitalista. Encostado o possante, cinquenta reais metamorfosearam-se em pouco mais de vinte e dois litros de Esso Maxxi. E não é que no dia seguinte meu ceticismo mostrou-se vão?

Pasme, o preço da gasolina fora realmente reajustado! Dois reais com vinte e cinco centavos por litro.

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