Aluísio Komarchesqui Leibanti

24, Abril 2008

Mário Jambo

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 6:19 pm

Tenho um amigo no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte: Mário Jambo, 49, juiz federal e apreciador de literatura brasileira. Verdade que nunca nos conhecemos, mas há atitudes neste sujeito que não se podem passar desapercebidas.

Falo de sua sentença sobre a Operação Colossus – caçada a uma quadrilha de hackers que aplicava golpes milionários em território nacional – semana passada. Após nove meses de clausura o juiz ordenou que fossem soltos três acusados no processo mediante uma lista com doze exigências, das quais vale citar a obrigação de lerem e resumirem, a cada três meses, dois clássicos da literatura.

Excetuando-se o mérito da liberdade e levando em conta o estado carcerário brasileiro, a atitude do magistrado de direito é de muita valia pois não só incita à leitura mas também promove direta ou indiretamente valores sadios.

Só por curiosidade; as primeiras obras escolhidas pelo juiz foram “A hora e a vez de Augusto Matraga”, conto de Guimarães Rosa e “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. Defensor incondicional da leitura que sou, divulgo a atitude tão inusitada. Deu na Folha Online, clique aqui para ler na íntegra

21, Abril 2008

Filosofia

Arquivado em: Cotidiano — Aluísio @ 11:13 pm

Há quem diga que se faz filosofia sem surpresa e admiração. Fala-se até na ausência do Pathos – que nada mais é que paixão ou doença, se é que há diferença entre os dois substantivos mencionados. Tal padronização do pensamento filosófico é o erro em si, pois, aquele não pode ser regido pela simetria conceitual.

Os dois filósofos que iniciaram o exame da capacidade humana para o erro foram Bacon e Descartes. Para tal, examinaram exaustivamente as causas e as formas do erro, inaugurando um estilo filosófico perdurante: a análise dos preconceitos e do senso comum. Bacon elaborou uma teoria conhecida como a “crítica dos ídolos” e Descartes elaborou um método de análise conhecido como “dúvida metódica”.

Bacon acreditava que com o avanço dos conhecimentos e das técnicas, as mudanças sociais e políticas e o desenvolvimento das ciências e da filosofia propiciariam uma grande reforma do conhecimento humano. Para Descartes, o conhecimento sensível – sensação, percepção, imaginação e memória – é a causa do erro e deve ser afastado. O conhecimento verdadeiro é puramente intelectual, parte das idéias inatas e controla por meio de regras as investigações filosóficas, científicas e técnicas.

No dia-a-dia nota-se uma tendência iminente ao erro. Questionei-me disso após repassar mentalmente algumas conversas e situações das últimas horas enquanto dirigia. Racionalismo e empirismo conflitavam-se arduamente. Tornar o entendimento objeto para si próprio, tornar o ‘sujeito do conhecimento’ objeto de conhecimento para si mesmo é a grande tarefa que a modernidade filosófica inaugura, ao desenvolver a teoria do conhecimento. Adjacente a isso há as contradições e revezes.

Em suma, perseverar no erro não é necedade toda. Há, ao menos, o subsídio filosófico.

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